domingo, 19 de agosto de 2012

Alforrias na Livraria Cultura

 


Alforrias




O livro encontra-se disponível na Livraria Cultura










Inclemências


A pedra seca abriga resíduos
Fósseis da saudade extinta.
O tempo roga inclemências Ermas
Nas fibras do meu desespero.
E pinta dor de espátulas
No desconsolo das vésperas.

Diante destes navios,
Minha janela se cansa.
E eu, fruta peca,
Flor sem pétalas,
Coração de máculas,
Mergulho muda
Num mundo-mar de vastidões.

Cansei de ser triste
Cansei desta matéria
Que alimenta e devora
A Poeta,
A Porta da minha casa,
A Puta da avenida Sete.

Aos demônios o cacete
Dos homens demasiadamente
Homens!

Infensos à demência réptil
Da minha esperança Yerma.






 Link:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/busca/busca.asp?sid=89104141214819644022488218&avancada=1&titem=1&bmodo&palavratitulo&modobuscatitulo=pc&palavraautor&modobuscaautor=pc&palavraeditora=EDITUS+-+UESC&palavracolecao&palavraISBN&n1n2n3&cidioma&precomax&ordem=disponibilidade



Prefácio do livro Alforrias escrito por Lígia Telles:

http://www.uesc.br/editora/sumarios/alforrias.pdf







quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Entre Mares de Maíra do Amaral

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “ENTRE MARES” TRAZ PAISAGENS MONUMENTAIS DA GRÉCIA E DA TURQUIA PARA SALVADOR
 
 
 
A abertura da exposição será no dia 24/08 (sexta) às 16h no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador
 
 
  
Uma viagem fotográfica que une o turismo e o prazer do conhecimento em múltiplas paisagens da legendária Grécia e esplendorosa Turquia. Este é o mote da exposição fotográfica “Entre Mares”, da fotógrafa Maíra do Amaral, que será aberta no próximo dia 24 (sexta), às 16h, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador. As fotografias mostram diversos lugares sagrados para os cristãos e muçulmanos, como o local onde a Virgem Maria viveu seus últimos dias de vida, além de paisagens exuberantes dos dois países. A exposição é gratuita e fica aberta para visitação de 24 a 31 de agosto, das 8h às 18h.
 
Fruto de uma seleção entre 2 mil fotos, “Entre Mares” nos apresenta, de uma forma única, a Turquia, paraíso de história, informação e cultura, com contribuições de Gregos, Persas, Macedônios, Romanos e Bizantinos, entre outros povos; e a Grécia, berço da civilização ocidental, com a imponência da Acrópole de Atenas, e pontilhado por ilhas fantásticas.
 
Na Turquia, as fotografias passam por Istambul, antiga Constantinopla, cheia de charme comparável aos contos de “Mil e Uma Noites”; a Capadócia, fantástica região vulcânica com suas paisagens lunares, única no mundo; Pamukkale, conhecida como Castelo de Algodão, deslumbrante conjunto de piscinas termais de origem calcária e cascatas petrificadas; além de Ephesus da era greco-romana, cidade onde viveu Maria, a mãe de Jesus, e abriga até os dias de hoje o grande Templo de Artemis, uma das Sete Maravilhas do Mundo.
 
Na Grécia, a exposição “Entre Mares”, nos leva às ilhas de Patmos, a Jerusalém do Mar Egeu; à lendária Rodes; a Heraklion, a capital da famosa Creta Minoica; e a Santorini, com suas incríveis formações geológicas. Por fim, Maíra do Amaral nos apresenta o seu olhar fotográfico sobre Atenas com sua majestosa Acrópole. 
 
Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela FIB, Maíra do Amaral atua como fotógrafa jornalística e cultural, assessora de comunicação e produtora cultural. Criou e executou duas exposições fotográficas, Batidas e Quebradas, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, e a exposição Faces, evento em comemoração ao Dia Nacional dos Museus no Memorial da Câmara Municipal de Salvador. De 2005 a 2010, realizou a cobertura fotográfica e assessoria de comunicação dos espetáculos e projetos da Escola e Associação Picolino de Artes do Circo.
 
 
 
 
Serviço
Abertura da exposição fotográfica “Entre Mares”
Data: 24/08, sexta-feira
Hora: 16h
Local: Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador
Endereço: Praça Tomé de Souza, s/n
Preço: Grátis
A exposição fica aberta para visitação de 24 a 31 de agosto, das 8h às 18h.
 
Entrevistas e informações: Maíra do Amaral (71) 9915-1100
 
 
 
 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012















A Escriba
 Rita Santana

A estrela entregou-se ao negrume das nuvens
E sucumbiu ao despenhadeiro da Finitude.
Antes, cuspiu o seu grito de fogo
Sobre o plúmbeo das águas,
Sobre a baía do espaço todo azul.

Enquanto a escrivã das coisas vãs,
Sem contê-las - as estrelas -
Tremia diante do leme sem controle.
E via içarem suas velas acesas
Sobre montanhas de cinzas azuis.

A escriba crivada de falas
Perece do silêncio das Constelações

E da hedionda mudez dos Astros.






quarta-feira, 25 de julho de 2012

Marize Castro: leitura de Alforrias










Crivada de falas
Marize Castro




Crivada de falas, a poeta fala. Uma poesia secreta, abismada. Uma poesia vital, antiga. Em Rita Santana tudo (ou quase tudo) é ancestral, remoto. Há dor em Rita? Sim, mas uma dor na qual o mistério da alegria também se revela. Nos versos de Rita “há um bater de portas na Escuridão”, mas também há uma forte claridade onde tudo há de entrar: macho, fêmea, sombra, sol, constelações, nostalgia. Sim, há um desejo de passado nesta poesia. Aqui tudo é vã e essencial – como é a própria vida que vivemos entre epifanias e alcovas comuns!

Eis uma mulher que ama e que se liberta para amar mais e mais. Mulher-deserto, mulher-multidão, Rita Santana tece versos na mais completa liberdade, pois (acredito!) poeta aprisionado não existe. Os poemas entrelaçam-se compondo esta obra em que gozos e adagas confrontam-se. O título – Alforrias – anuncia todos eles e os contempla. Observo Rita seduzindo as palavras, servindo e sendo servida, cantando seu pranto doce de escriba, cercada de mitos e de verdade. Encanto-me com a fortaleza e fragilidade desta mulher, desta “égua bravia” em que “o tempo descansa sua Lança/e o seu Cansaço”.

 A poesia de Rita Santana dança, grita, sussurra. Permito-me parodiar um dos seus versos: Cá estou na abismação de cada poema. Sim, acredito nesta poesia que sonha “com ânforas cheias de perfume do lótus”. Da vida e da morte esta escrita surge, da vida e da morte esta escrita alforria-se.
Aqui, o divino ergue-se.




Orelha: Fátima Ribeiro
Prefácio: Lígia Telles
Projeto Gráfico e Capa: George Pellegrini
Editora: Editus



sábado, 14 de julho de 2012

Diário da Separação















Diário da Separação
 Rita Santana



Ele vai e volta!
Cada vez mais perdulário dos meus perdões.
Cada vez mais disposto a cobrir de velários
Meus velórios matutinos.
Ele chega menino e se vai vilão,
Zorro assombrando minhas carnes.

Mostra-se quase factível de mudanças,
Mostra-se quase afeito aos meus caprichos de fêmea.

Inferniza minhas ínguas, lambe minha pelve:
 – Perverso!
Deposita escarros nos vasos da minha Casa.

E vai-se, Tarzan depois da gripe.
Enredado em seus cipós,
Distante do chão-pergaminho
Das minhas Vertentes.







Poema do livro Alfrorrias, ainda inédito. Pubicado em 2010 na coletânea Encontro com o Escritor.
 Foto: Rita Santana/Chapada Diamantina.


Pedras da Chapada Diamantina


 




















































Fotos: Rita Santana/Chapada Diamantina.

 
 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Andorinha

















Andorinha
 Rita Santana


As andorinhas existem!
Saíram das páginas do livro
E resolveram viver
Nas alvenarias
Do invisível.


Mas a tua ausência dentro de mim é puríssima dor.
Não há voo que dissipe minha esperança.
Nem vento, nem rosa, nem crença
Que suavize a melancolia parasita nos ossos.


Alheios desejos nos levaram
Para ilhas opostas:
Tu foste para Creta.
Eu, para o Crato.
E do anonimato dos dias
Tenho feito poesia secreta
E prosadura.




Poema do livro Alforrias (ainda inédito), publicado na Coletânea Encontro com o Escritor/2010.
Foto: Rita Santana


domingo, 8 de julho de 2012

Crepúsculo das Vertigens


 











Crepúsculo das Vertigens
Rita Santana


Ante o teu olhar de céu marítimo,
Cedo oferendas ao teu cinismo-seco.
Crepusculo raízes de verdades verdes,
E, ainda assim, quero-te meu!
Apaixonado e obscuro-louco,
Encantador das minhas servas serpentes.



Mente quem olha em silêncio
Tua brandura!
És ofertado a escândalos de botequins.
Tens no nome um Império de mangues,
E no meu lodo escavas pepitas,
Pratarias de negra apanhada
Em arrecifes de ciúmes.



Vingo-me perante o ópio epiderme de teus olhos
E morro a cada romper de casco sobre pedras.























Poema do livro  Alforrias (ainda inédito) /Publicado na antologia Encontro com o Escritor/2010/Fotos: Rita Santana